20060222

«Feira do Montijo»

de António Cabrita, da série Caderno de Entrevistas em Arte Negra:

FEIRA DO MONTIJO

(Uma despachada rapariga da província)

Como? Isaura? Como? Vinte e dois.
Nasci num dia de apanha de azeitonas,
num estábulo velho. Esta cicatriz
foi na minha primeira visita
a Évora, a casa da minha avó,
levei com uma escada de alumínio
na testa. Não rias, mas pulsa
quando me venho. Como?
Sim, se calhar foi quando me deu
para começar a sonhar c'a cidade,
onde as fotografias ficam prontas
em meia-hora. Ou achas
que a vida está para demoras?
Como? Comes-me ou não?