20051227

mini-roteiro para as férias

Online há já algumas semanas está o Arco da Velha (onde metade da velha é uma lebre), uma enciclopédia de velharias cheia de patine. Eu ADORO e ODEIO em simultâneo porque - e já nem falo dos posts - logo os links são um princípio para o descaminho... dá-me vontade de chorar de raiva por não ter tempo de os perseguir a todos. A simplicidade, como um índice de início de buscas que não sabemos que queremos fazer, ajuda bastante.
Posts emblemáticos para iniciar: a Passarola do Bartolomeu ou o Fausto do Murnau com download integral do filme incluído.

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O Bruno de Almeida, que filmou e refilma o Candidato Vieira, tem à vista de toda a gente a sua última longa-metragem (?) que são afinal 24 mini-metragens acopladas, uma colecção de histórias de Nova Iorque. Entre uma mão-cheia de very tipicals está lá a Drena De Niro, filha adoptiva do.

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A revista Wire, uma espécie de Wired mas do som, tem duas bibliotecas de mp3 (1+1) com mais de 600 megas de música escanifobética que fica bem em qualquer reveillon. Gostei muito do Noah Howard.

20051222

donde

Vinte e oito anos de aturada observação participativa levaram-me a concluir que muito do convívio habitacional entre humanos no interior de um espaço partilhado pelos mesmos se baseia na inquirição acerca da localização de determinados objectos, ao que é indiferente se pertencem a quem os demanda.

20051220

«Avó»

O prólogo das minhas noites era mágico:

«Adormece e sonha que estás a dormir...
Assim dormirás duas vezes.» O meu sonho,
então, era um letargo tranquilo
- anos depois chegaria a insónia -
que se seguia à voz suave e anciã.

«Adormece e sonha que estás a dormir...
Assim dormirás duas vezes.» Caía,
então, numa pequena hipnose
até que o sol acordava o meu quarto
e os meus dois sonhos desapareciam.

Foi assim todas as noites enquanto ela
fez parte dos vivos. Beijjava-me
e repetia em voz baixa a sua frase.
Agora já não a choro. Sorrio.
Sei que ela gostaria mais assim.

Talvez a morte seja o terceiro sonho.


Vêm na «Telhados de Vidro» de Natal (#5) uma mão-cheia de belos poemas do catalão Toni Montesinos traduzidos por Manuel de Freitas. A não perder, mesmo que este «Avó» não seja a melhor amostra. Que eu saiba, só havia algo dele publicado em português aqui.

Estão a aparecer uma série de talentos da geração de 72. Terão à volta de 33 anos, agora. Está certo.

20051219

Citações Criminosas, vol. 2 - the return of the innocents

Michel Carrouges: L'humour noir est un rire insultant qui part du fond du moi révolté, provoque et défie l'opinion publique et le fatum cosmique.

20051216

nous réclamons

[...] Nous affirmons qu'un grand nombre de vos pensionnaires, parfaitemente fous suivant la définition officielle, sont, eux aussi, arbitrairement internés. Nous n'admettons pas qu'on entrave le libre développement d'un délire, aussi légitime, aussi logique que toute autre succession d'idées ou d'actes humains. La répression des réactions antisociales est aussi chimérique qu'inacceptable en son principe. Tous les actes individuels sont antisociaux. Les fous sont les victimes individuelles par excellence de la dictature sociale; au nom de cette individualité qui est le propre de l'homme, nous réclamons qu'on libère ces forçats de la sensibilité, puisqu'aussi bien il n'est pas au pouvoir des lois d'enfermer tous les hommes qui pensent et agissent.

É excerto da carta de Artaud aos médicos responsáveis por um «asilo de loucos», na Révolution Surréaliste #3 de 1925, pré-assalto de Bréton [texto completo algures aqui].
Um número, entre muitos antis, anti-clerical. Hoje, ainda mais que na época, é possível reclamar directamente ao papa. Ou mandar-lhe vídeos da Paris Hilton. Ou sugestões para festas. «Inventem-se novos santos», dir-lhe-ia num acesso de sanidade o irmão do nosso preocupado Presidente.

Ainda os loucos: houve e médicos que pensa(ra)m as questões levantadas por Artaud. E Dhuisme até traçou um retrato das relações entre Artaud e «os médicos».

...

Porquê este excesso de informações aparentemente desconexas sobre o surrealismo?

Não só por Cesariny, mas por uma redundância: «o amor está no cerne da problemática surrealista».

20051213

Becky goes to Switzerland

Acertar-lhes os relógios pelo diapasão de Ficalho, dar os parabéns ao centenário pai de todas as festas, contar as manchas das operárias da milka, verificar in loco as semelhanças com Caxemira, pregar contra os bancários, deslavar dinheiro, em suma, moer o juízo aos mais alinhados dos desalinhados. Go forward!

20051207

aldo adorno

Num estabelecimento de diversões quem é que realmente se diverte?

20051205

Dicionário de Morais

Viegas alertou para um blog sobre Graça Morais, mantido escrupulosamente pela filha (dela). Eu já prevariquei: