20051110

Périplo p'lo Príncipe Real (part two)

RUA MARCOS PORTUGAL

Antiga Rua de Nossa Senhora da Conceição, mais antiga ainda Rua da Conceição, recebeu nova designação por deliberação camarária de 3 de Agosto de 1911 e edital quatro dias mais tarde. Tem início na Praça das Flores e terminus na Rua da Imprensa Nacional.

E quem é, quem foi Marcos Portugal?


De seu nome Marcos António da Fonseca Portugal, nasceu em Lisboa em 24.3.1762 e faleceu no Rio de Janeiro em 7.2.1830.
Em Agosto de 1771 entrou para o Seminário da Patriarcal onde fez a sua educação musical.

Compositor desde os 14 anos - estreou-se com um Miserere - tornou-se organista da capela da patriarcal e em 1785 regente de orquestra no Teatro do Salitre.
Com uma pensão concedida pelo governo viveu durante 8 anos em Nápoles, onde em 1794 actuou no Scala de Milão com a Ópera
Il Demofoonte. Durante esta estadia em Itália compôs 21 óperas e, em 1800, regressa a Lisboa onde exerce os cargos de mestre da capela e do Teatro de S. Carlos, bem como de professor do seminário da Patriarcal e dos príncipes.
Até à partida da corte para o Brasil, em 1807, compôs novas óperas e nova música para a Ópera II Demofoonte, interpretada em Agosto de 1808 na presença de Junot- este fez copiar óperas de Marcos Portugal para as enviar a Napoleão. Mas em 1810, este compositor resolver juntar-se à corte no Brasil e aí compôs sobretudo música religiosa para a capela real. Privado das suas faculdades [i.e., após dupla apoplexia] desde 1917, não pode acompanhar a corte no seu regresso a Portugal em 1821.

Estou siderado com a eficiência da Câmara Municipal da Capital. Há então na página web da dita um serviço online, com ligação directa ao Gabinete de Toponímia, que fornece a qualquer cidadão, pelos vistos em dois dias, um bloco de informações sobre uma qualquer rua de Lisboa: história, data da atribuição, denominações anteriores, localização, freguesia e até "outras" (informações). Chama-se Quero saber da "Minha Rua"...

Bom, não é que seja difícil encontrar coisas sobre aquele que em luso solo é tratado como «um dos mais ilustres compositores do seu tempo» mas que "o Brasil" conhece, de uma maneira geral, como o «Salieri português», graças a ter ocupado o lugar do Padre José Maurício na corte, o qual viria a morrer na miséria.

Há uma entrada no Portugal - Dicionário Histórico muito completa, e pelos trabalhos de Bárbara Villalobos e António Jorge Marques percebe-se que os estudos dedicados ao músico estão longe de terminados.

Sobre a questão brasileira, é igualmente fácil reunir um conjunto de informações iniciais, seja a desancá-lo, em grande ou mais educadamente, seja a defendê-lo.

Hodiernamente, podemos ouvi-lo onde quer que seja tocado o Hino da Real Academia dos Guardas-Marinha... ou se não quisermos suportar chique tribo enfardada, basta aqui um clique, com a benção de Camões.